O final de 2024 tem sido turbulento para o governo de Jorginho Mello (PL). Internamente, o clima não é bom nas últimas semanas e se intensifica devido às mudanças já anunciadas no comando de diversas secretarias, esperadas para ocorrer até a metade de dezembro. Relatos de bastidores indicam que até mesmo pessoas próximas ao governador entraram em conflito. A situação se tornou ainda mais tensa após as reportagens que trouxeram à tona os acordos de parceria firmados pelo Ciasc, o que resultou na queda de um dos principais aliados de Jorginho, Moisés Diersmann. Paralelamente, o processo constante de “fritura” de secretários também começa a pesar internamente. A expectativa é que as mudanças de dezembro atinjam mais da metade das secretarias de Estado.

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Ao todo, são 18 pastas com o mesmo status dentro do governo. Em 11 delas, especula-se algum tipo de troca, seja no cargo de secretário ou na função de secretário adjunto. Até mesmo aqueles que se imaginavam ter uma relação de proximidade com o governador começaram a ser mencionados nas conversas sobre possíveis demissões. Nos bastidores, é corrente que alguns grupos se formaram dentro do governo devido à divisão criada entre as pessoas mais próximas a Jorginho.

Alguns episódios ajudam a explicar a turbulência atual. A começar pelos fatos envolvendo o Ciasc, publicados inicialmente pelo O Globo. O caso gerou grande irritação no governador e mobilizou, inclusive, os dois filhos dele, Filipe e Bruno Mello, que acompanham o governo de perto e atuam em determinados momentos.

O descontentamento de Jorginho o levou, na sequência, a cometer um erro que gerou mais estresse interno: declarações polêmicas sobre a Polícia Militar (PM-SC). Durante um evento da SSP-SC, ele criticou o movimento de praças da corporação pelo benefício chamado “grau acima” e ainda fez comentários negativos sobre os oficiais da PM-SC.

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No final da semana passada, outro movimento gerou repercussão interna. O presidente da Fesporte, Freibergue Rubem do Nascimento, anunciou que os Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) de 2025 serão em Lages. No entanto, a única cidade que havia se inscrito para receber o evento era Chapecó.

O fato gerou repercussão devido ao contexto político. Como se sabe, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), é o possível adversário de Jorginho na disputa pelo governo do Estado em 2026. Na segunda-feira (25), para piorar, Jorginho cumpriu agenda justamente em Chapecó, a maior cidade do Oeste, onde o clima não é favorável ao governo após a decisão sobre os Jasc. Lá, colocou panos quentes e determinou que os jogos ficassem mesmo em Chapecó, desautorizando publicamente o presidente da Fesporte.

As secretarias que mudarão

As desconfianças internas entre secretários passaram a se tornar uma constante. Com as mudanças previstas para dezembro, apenas sete pastas estão isentas de especulações, embora uma ou outra ainda possa sofrer substituições. Em alguns casos, as trocas ocorrerão por obrigação, como no caso da Secretaria de Ação Social, onde a secretária Maria Helena Zimmermann deixará o cargo no final do ano para assumir a mesma secretaria em Rio do Sul.

Na Educação, o secretário Aristides Cimadon já teria solicitado para sair, mas Jorginho o segurou. No entanto, nas últimas semanas, a pressão pela saída dele teria aumentado. No sistema prisional, a nova Sejuri continua sendo comandada por Carlos Alves, e as conversas sobre mudanças na secretaria diminuíram. Nas demais secretarias onde o governador planeja fazer trocas, as mudanças podem ocorrer tanto no comando quanto nos cargos de adjunto, como é o caso da Casa Civil.

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