Jorginho Mello na quinta-feira (10) e Lula na sexta-feira (11). O governador de Santa Catarina e o presidente da República adotaram a mesma estratégia para lançar pacotões de obras e investimentos em dias consecutivos. Ambos juntaram dezenas (no caso de Jorginho) e centenas (no caso de Lula) de obras que já estavam planejadas ou previstas para dar solenidade aos programas. Salvo uma obra ou outra, a grande maioria dos anúncios já era conhecida pelas lideranças e políticas e pela população.

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No marketing, podemos chamar os atos de “rebranding”. O governador e o presidente criaram marcas novas para empacotar obras e investimentos e deixar para trás os outros governos. Ao mesmo tempo, estabeleceram prazos e compromissos para acabar com problemas que há anos incomodam as populações das regiões aonde estão programados os recursos.

Como não há nada muito “novo” nos dois pacotes, os dois chefes do Executivo agora apostam na entrega. Caso consigam entregar o que outros gestores não deram conta, vão justificar o “rebranding” e marcar posição sobre obras históricas.

“Estrada Boa”

Na apresentação feita pelo secretário-adjunto de Infraestrutura, Ricardo Grando, no lançamento do programa, há a estimativa de que em 10 meses serão recuperados todos os trechos em situação crítica. Até maio de 2024, promete a secretaria, estarão prontos os locais que precisam passar por obras mais urgentes. O prazo é apertado, ainda mais se tratando de obras que necessitam de eventuais licitações e da mobilização de empresas. Os técnicos da secretaria de Infraestrutura defendem que há como cumprir o que foi estabelecido.

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Um segundo desafio está justamente no volume das obras. Ainda no governo Moisés, uma das dificuldades do Estado em colocar máquinas nas ruas foi a falta de empresas interessadas. Como havia muitas licitações, não tinha tanta empresa à disposição para fazer todas as obras. O atual cenário pode se repetir novamente, com muitas licitações ficando desertas.

Novo PAC

O programa prevê R$ 48,3 bilhões para Santa Catarina. No entanto, dentro do pacote há diversos tipos de investimentos que fogem até da alçada do governo federal. Há, por exemplo, a previsão da colocação de recursos por parte das concessionárias das rodovias federais catarinenses. Assim como estão previstos os recursos das obras em andamento.

As duplicações das BRs 470 e 280, em andamento há anos no Estado, também constam dentro do novo PAC. Isto comprova que o governo federal empacotou tudo o que tinha previsto para SC e envelopou para dar uma “cara nova” aos investimentos.

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