Cotado para disputar as eleições de 2026 diante do alto percentual obtido na disputa municipal de 2024, o prefeito reeleito de Joinville, Adriano Silva (NOVO), se diz pronto para ser governador de Santa Catarina. Entretanto, ele diz que, para a maior cidade do Estado, o melhor que seria que o atual mandato fosse totalmente cumprido. Para concorrer ao governo do Estado daqui a dois anos, Adriano precisaria renunciar em 2026.
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Em entrevista exclusiva à coluna, durante visita a Florianópolis, nesta semana, Adriano falou sobre a reeleição ao cargo em Joinville e os planos políticos pessoais. Leia abaixo:
Prefeito, muita gente de outras regiões, e até aqui da Capital, e olha para Joinville, vê que Adriano Silva fez 78% dos votos para se reeleger, um alto percentual. Na sua visão, a que se deve esse alto percentual para se reeleger?
Eu acredito que foi esse governo técnico que a gente montou em Joinville. Porque no momento em que a gente privilegiou pessoas técnicas e pessoas com a formação adequada para o cargo a ser exercido, a gente teve todas as secretarias tendo boas entregas. E aí o joinvilense começou a perceber o serviço público acontecendo em todas as portas, então, desde assistência social, obras, educação. A gente estava com uma aprovação de mais de 90% na cidade. Isso acabou se refletindo na urna. O joinvilense viu o resultado acontecendo e resolveu manter o governo. Imagino que é isso.
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Nesses primeiros quatro anos, o senhor chegou, conheceu a máquina, estavas iniciando na política e implantou suas ideias. E nos próximos quatro, quais serão as tuas metas?
A meta é manter o nosso plano. Nós temos muitas obras em andamento, então a meta é entregar essas obras todas. A gente tem a maior parte da história de Joinville, que é a ponte em Joinville, em construção. Nós temos o maior plano de construção da história de novas creches. São 15 grandes creches que dá 10.000 novas vagas. Oito ou nove já estão em construção. E mais, as outras estão em licitação. Então tem muita coisa acontecendo. Tanto é que nós não fizemos uma campanha de promessas, a gente fez uma campanha mostrando aquilo que a gente estava executando e que a gente gostaria de manter a execução e término, porque já é muita coisa a ser feita em oito anos.
Essa sua vinda para Florianópolis é interessante porque muita gente fala que o prefeito Adriano fica muito concentrado em Joinville. A sua ideia é começar a sair mais, circular o Estado e se relacionar com outros prefeitos, outras lideranças?
A ideia é estar mais próxima de Florianópolis e de Brasília, que são os ambientes que hoje o poder executivo municipal ele é muito codependente das outras instituições, e principalmente quando se fala em orçamento. A final hoje, o orçamento foi desidratado do Poder Executivo e o Poder Legislativo passa a ter recursos de emendas que são relevantes para o fechamento das contas dos municípios. Então isso se faz necessário a gente estar próximo dessas lideranças para que a gente possa efetivamente executar ou novas obras ou projetos, ou muitas vezes até custeio, como no caso da Saúde. A gente hoje precisa realmente de emendas para fechar as contas para receber porque nós temos um hospital municipal que é regional, 30% dos atendimentos são pessoas de fora de Joinville. Mas quem está pagando essa conta não é o joinvilense. Então todo dinheiro extra que vem nos ajuda também.
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Nessa relação com Florianópolis e o governo do Estado, como é que está hoje? Pergunto da sua relação com o governador e a relação da cidade, da cidade com o governo do Estado. Na sua visão, o Estado tem colaborado com Joinville? Como é que tem sido essa conversa?
A relação com o governador sempre foi boa. O que eu digo é que o governador Jorginho Mello, antes de governador, ele como senador, sempre me recebeu em Brasília, que abriu as portas para mim no governo anterior. Então, a gente tem esse respeito mútuo muito grande. E quando ao governo do Estado, e aí não é uma crítica a esse governo, mas é uma forma como o governo do Estado vem tratando Joinville há décadas, precisa ser revisto, principalmente na questão da Saúde. Se a gente comparar hoje, em Florianópolis, todos os hospitais são estaduais. E nós temos um hospital municipal em Joinville, que é o hospital São José, e que ele é um hospital regional. Ele nos custa aos cofres mais de R$ 300 milhões por ano, isso tirando a capacidade de investimento em outras áreas do município. Outra crítica também ao Estado é que hoje, no ensino, diminuiu demais a presença do governo estadual em Joinville. Por exemplo, do ensino fundamental, que é responsabilidade do estado também, apenas 13% é executado em Joinville. Quando a média do estadual passa dos 40%. Então, obviamente isso acaba punindo na cidade de Joinville pelo fato de a gente ter mais investimentos na Secretaria da educação municipal e muitas vezes faltando servidores em outras áreas. Porque eu sou obrigado a compor com muito mais professores, auxiliares de educação. Se tivesse mais ou menos equilibrado, como em outras cidades está, a gente poderia ter um equilíbrio melhor. Então são duas pastas, que eu não entendo, porque não foi este governo que fez, mas que precisa ser revisto. Então, no caso do hospital São José, a gente já tem um convênio firmado com o governo do Estado, de repasse de uma verba anual para nos ajudar auxiliar nas contas. Nós estamos com muita dificuldade de prestação de contas, porque é um convênio muito complexo. Ele exige somente custeios de coisas que não tem verba do SUS, que não tem verba do município, então acaba levando muito tempo para eu provar as despesas para eu conseguir captar todo o recurso do convênio. Então, quando o convênio deveria ser anual, ele está demorando mais. A gente tem encontrado essas dificuldades, mas a gente também tem encontrado boa vontade do governo do Estado para tentar achar uma solução.
Politicamente falando, quando te perguntam o que vais fazer em 2026, o que tens dito?
A minha resposta é mais verdadeira possível A minha resposta é de que eu estou preparado para ser governador se necessário for, mas eu torço para que o governo atual tem o maior resultado possível na cidade de Joinville. O meu objetivo é estar em Joinville, meu objetivo é manter o governo em Joinville, porque Joinville precisa disso. Então é por isso que eu tenho mantido uma boa relação governador, porque o que eu quero é que ele tenha um excelente governo e que ele execute um bom governo para todo o Estado de Santa Catarina. Eu entendo nesse momento Joinville ganharia mais com o prefeito terminando seu mandato lá.
Sobre a relação do NOVO, que é o seu partido, como PSD. Os pessedistas de apoiaram em Joinville sem indicação de vice, o que sinaliza para uma boa relação. Isto condiciona o NOVO a ter uma parceria com o PSD em 2026, tendo João Rodrigues como candidato?
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Acho que ainda é prematuro discutir isso, até porque o partido NOVO, ele tem um formato bem diferente, porque quem é mandatário é mandatário e quem é dirigente é dirigente. Não pode misturar as coisas. Então, as decisões dos diretórios, elas são muito independentes da vontade de qualquer mandatário ou vice-versa. É diferente de outros partidos, que muitas vezes o mandatário principal, ele acaba assumindo a presidência do partido e ele acaba influenciando as decisões partidárias em benefício da sua carreira política. Então isso no NOVO não existe, então não tem como eu responder pelo partido que ele deseja fazer lá na frente. Nós tivemos parcerias tanto com o PSD no Estado de Santa Catarina, quanto também com o PL no estado de Santa Catarina. Nós tivemos, por exemplo, Pomerode. Nós temos um prefeito e um vice-prefeito eleito, o prefeito do PL, o vice-prefeito do NOVO. Então é isso que eu digo. O cenário local tangenciou muito a coligação que aconteceu agora nas eleições municipais, muito pelo fato da relação que eu tinha com os vereadores. Eu sempre tive uma excelente relação com os vereadores que representavam o PSD e com outros vereadores que a gente conseguiu fazer uma boa coligação. E já o que não acontecia com é uma parcela dos vereadores do PL em Joinville, que se colocaram ali como oposição há quase dois anos atrás, quando o PL falou que talvez teria uma chapa própria.
Então o resultado da eleição de Joinville está vinculado, muito mais por uma questão local, isso?
É muito. Muito local. Isso não reflete a visão do Estado. A visão da direção como Estado. Foi uma questão local, pontual, por uma motivação do candidato deles, enfim, e com vereadores deles.
Teu futuro político estou passa apenas pelo governo do Estado, o senhor não pensaria em outras funções como deputado e senador? Isto não te passa pela cabeça nesse momento?
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Eu não sei responder ainda, porque eu confesso que quando entrei na política, eu sou empresário, eu entrei por pura indignação na política. Não imaginei nunca também que a gente fosse conseguir efetivamente ganhar. Na primeira eleição, a gente conseguiu ganhar, estava preparado, tinha estudado para isso. Mas obviamente, as coisas estão acontecendo de forma rápida. E então assim, o meu objetivo é estar prefeito em Joinville. Depois disso, se eu tivesse um tempo para parar e pensar, seria ideal assim, para a gente poder, eu e minha esposa, pensar. Porque qualquer outra decisão que eu venha a tomar é uma decisão que sai totalmente do cotidiano. Sou um pai extremamente presente, eu sou o marido extremamente presente. E como prefeito, tenho conseguido conciliar essas agendas. De pai de família e ser prefeito. Agendas como deputado, como senador ou como governador são agendas que mudam completamente o caminhar das coisas. Então é uma decisão mais complexa.
É falando sobre o partido NOVO. O que achas que deve ser o caminho da sigla? Qual tua ideia em relação ao partido especificamente?
Eu gosto do partido NOVO. Eu me sinto extremamente integrado a ele. Hoje eu sou uma das lideranças nacionais do partido, e a gente ajudou a construir esse partido NOVO que está aí agora, com algumas mudanças importantes que foram feitas. Para que a gente pudesse crescer, mas crescer com qualidade e crescer também com condições estruturadas. Porque a nossa preocupação sempre foi crescer de forma desestruturada ou que não tivesse os princípios e valores do partido. Então eu acredito que o partido NOVO é uma plataforma excelente de mudança para o Brasil de médio e longo prazo. A curto prazo, nós temos ainda que fomentar mais as nossas bases. Criar mais diretórios, fazer com que novas lideranças venham ao partido, entendam também como um partido positivo. Então ainda é um partido que tem muitos desafios ainda para se consolidar, para se informar com um partido nacional.
Para terminar, o senhor citou o governo federal. Vi que tens mantido agendas em Brasília. E um dos temas é a BR-101, que tem um caos na região Norte. Qual é a sua visão sobre o caminho para fazer isso mudar?
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Na semana passada, eu tive a oportunidade de participar de uma reunião com o ministro do Transporte junto com a bancada parlamentar de Santa Catarina, onde a gente fez uma cobrança dura em relação aos investimentos da BR-101. Porque ela já está colapsada. Não é uma questão de que vai colapsar, ela já colapsou. Nós dependemos dessa infraestrutura, nós não temos outra opção de infraestrutura. Então, acho que a gente deixou isso muito claro. E a gente pediu celeridade do governo federal de decisões, tanto da concessão da Autopista, quanto também de outros investimentos que têm que ser feitos. Então, acho que esse é o papel dos prefeitos e também dos parlamentares de mantermos essa cobrança cadenciada para que a gente possa efetivamente ser ouvido no governo federal. Porque aqui não é só essa criticar a esse governo, mas a vários governos que tem passado e não tem dado a devida atenção ao nosso Estado em relação à infraestrutura.